eu uso suas roupas pra que seu cheiro me abrace pelo resto do dia
eu uso seu tom de voz e suas arranhadas para que eu te ouça quando não está
eu uso seu olhar porque já aprendi que ele é mais colorido que o meu
eu uso seu coração porque ele é mais puro e contagia
eu admiro sua coragem
eu admiro sua paciência
eu admiro sua arte
eu admiro sua língua
eu já me tornei menos eu
sou nós
sexta-feira, 12 de junho de 2015
domingo, 3 de maio de 2015
Oráculos de Maio
Entra no carro. Coloca o cinto. A vida ainda é essa, alguém dirigindo seu curso. Preso na segurança de um futuro incerto. Não importa quantos quilômetros, horas ou calos adquiridos. Gosta do vento, sente calor demais, abre a janela. Num ponto qualquer da estrada existe um grupo de jovens, sentados, esperando não se sabe o quê ou quem, mas esperam. Esperam a vida passar, cantando, sorrindo, batendo o pé ritmicamente. Ele queria não estar mais no carro e sim ficar ali, onde as horas passam devagar e a aura dos sentimentos é tão definidas e claras que não se tem dúvida alguma que se amam e que amam o momento. Queria ficar ali.
Desmonta a barraca. Ventou muito essa noite, né? Ventou. Dormiu bem? Dormiu. Pra onde vamos agora? Só vamos. Sentam-se na beirada da estrada esperando um ônibus que talvez passe, talvez já tenha passado. Os carros passam, param, olham, gostam. E eles fazem a mágica da música acontecer. E eles fazem a mágica da vida acontecer. O ônibus chega. Entram. Vão.
Sempre esteve ali.
eternamente grato <3
terça-feira, 14 de abril de 2015
El escarabajo y el hombre
Sabrán que hay escarabajos - negros anaranjados - que se alimentan de animales muertos y de materias vegetales en descomposición, que pueden arrastrar el cadáver fresco de una rata, de un suelo duro a otro más blando, enterrarlo y esperar pacientemente que se convierta en carroña para luego darse un putrefacto banquete; sabrán que por estros escarabajos, de ocupación tan despreciable, es posible que la materia, en trance de extinción definitiva, retorne a la circulación vital del universo, torbellino confuso de sustancias húmedas, resbalosas, en donde se fragua nuestro ciclo que, desde el agua hasta el aire, busca dolorosamente el equilibrio eterno, aquí, sobre la tierra.
- Oswaldo Reynoso
domingo, 8 de março de 2015
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