sexta-feira, 7 de agosto de 2015

cuidado frágil

. nunca fomos uma caixa. Nossa concepção foi descabida, despretensiosa e emergencial. No meio do escuro fez-se a luz. E sabíamos. Momento único. Era perceptível. É perceptível. A gravidade é a atração de dois corpos, um interagindo com o outro. O celulares são, milagrosamente, aparelhos que fazem uma ligação entre dois corpos longes. Estamos cercados de ligações. Mas nenhuma importa mais que a nossa. 



quarta-feira, 24 de junho de 2015

suja e só

Não sei quantas pessoas já disseram isso. E não considero apropriação ou plágio da palavra alheia. É uma verdade. É a contestação mais óbvia desde 'a Terra é azul': São Paulo é um grande organismo. Colossal. Uma cidade que é mais populosa que vários países. 

As pessoas nas veias abertas da cidade não são nada mais que um ponto. Você encontra com alguém um dia e, dificilmente, verá a mesma pessoa na sua vida. Isso, apesar de movimentado e dinâmico, pesa na contradição. É solitário e carente. É muito mais difícil estabelecer alguma relação assim. Cada pessoa tem o seu papel, trabalha no lugar x fazendo tal coisa para que aquilo aconteça. Esse é o sistema da cidade. Todo mundo fazendo da sua vida e do seu tempo o meio para que a cidade não pare. E ela não para! Abaixo do chão milhares e milhares de pessoas estão, no chão e bem acima do chão. 

A cidade é suja. A cidade é fria. A cidade é só. A cidade é cinza. E, arrisco dizer que talvez, é por isso que eu gosto, preciso e almejo ela. 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

do infinito

eu uso suas roupas pra que seu cheiro me abrace pelo resto do dia
eu uso seu tom de voz e suas arranhadas para que eu te ouça quando não está
eu uso seu olhar porque já aprendi que ele é mais colorido que o meu
eu uso seu coração porque ele é mais puro e contagia
eu admiro sua coragem
eu admiro sua paciência
eu admiro sua arte
eu admiro sua língua
eu já me tornei menos eu
sou nós

domingo, 3 de maio de 2015

Oráculos de Maio

Entra no carro. Coloca o cinto. A vida ainda é essa, alguém dirigindo seu curso. Preso na segurança de um futuro incerto. Não importa quantos quilômetros, horas ou calos adquiridos. Gosta do vento, sente calor demais, abre a janela. Num ponto qualquer da estrada existe um grupo de jovens, sentados, esperando não se sabe o quê ou quem, mas esperam. Esperam a vida passar, cantando, sorrindo, batendo o pé ritmicamente. Ele queria não estar mais no carro e sim ficar ali, onde as horas passam devagar e a aura dos sentimentos é tão definidas e claras que não se tem dúvida alguma que se amam e que amam o momento. Queria ficar ali. 


Desmonta a barraca. Ventou muito essa noite, né? Ventou. Dormiu bem? Dormiu. Pra onde vamos agora? Só vamos. Sentam-se na beirada da estrada esperando um ônibus que talvez passe, talvez já tenha passado. Os carros passam, param, olham, gostam. E eles fazem a mágica da música acontecer. E eles fazem a mágica da vida acontecer. O ônibus chega. Entram. Vão. 



Sempre esteve ali.


eternamente grato <3

terça-feira, 14 de abril de 2015

El escarabajo y el hombre

Sabrán que hay escarabajos - negros anaranjados - que se alimentan de animales muertos y de materias vegetales en descomposición, que pueden arrastrar el cadáver fresco de una rata, de un suelo duro a otro más blando, enterrarlo y esperar pacientemente que se convierta en carroña para luego darse un putrefacto banquete; sabrán que por estros escarabajos, de ocupación tan despreciable, es posible que la materia, en trance de extinción definitiva, retorne a la circulación vital del universo, torbellino confuso de sustancias húmedas, resbalosas, en donde se fragua nuestro ciclo que, desde el agua hasta el aire, busca dolorosamente el equilibrio eterno, aquí, sobre la tierra.

- Oswaldo Reynoso

Chaves

não só as do portão as tens

Marco

não avisa, só chega, respira, e vai catando as roupas pelo quarto.