quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ode ao desalento


Eu tenho aprendido a não ter pressa. Sei que, por mais que me doa muito pensar nessas palavras, ainda tenho todo o tempo do mundo. Tenho aprendido também que se pode ser feliz independente do lugar ou da circunstância. E que os pequenos detalhes da vida devem ser degustados. A vida é só um pequeno detalhe no fim das contas. Tenho aprendido. Mas por dentro sei que isso tudo é muito teórico. Eu sei jogar o jogo do contente ou, como a neurolinguística diz, sou apto a fazer o ressignificação de conteúdo.

inacabado I

Adélia Prado acalma e aquece. Esqueço do mundo e dos meus medos quando leio os dela. Eu não gosto muito de me expor, mas tenho um blog. Não como muito em público, mesmo que o público seja as pessoas que moram comigo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Ruffo

Ei.
Olha pra mim.
Só um pouco.
Só o suficiente pra eu sorrir.
Sei lá.
Faz umas piadinhas ruins.
Dá falsas esperanças.
Não precisa nem ser verdadeiras não.
Vai me colocando devagarinho na sua vida.
Me apresenta seu mundo.
Só que olha pro meu também.
Só um pouco.
Só um suficiente.
Nem um pouco?
Nem o suficiente?
Então tá.
Depois a gente conversa.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

rua joão martins coelho em frente ao kit santo antonio

será que dá pra fazer poema aqui?
acho que é uma parte que não é contemplada na literatura, até adélia prado que costuma falar da gente, fala mas pelas beiradas, já falou de cachoeirinha, branquinhos, choro, mas aqui acho que não brota nada para escrever mesmo não. é uma terra onde as pessoas fazem uma força muito grande pra soar natural ou são naturais demais em parecer fortes, eu não sei direito. parece estranho que eu tenha vindo daqui, mas depois de um tempo longe é muito fácil notar a diferença, mas principalmente a minha diferença. porque as coisas aqui não mudam, nunca. mas eu não sou mais o mesmo, eu não consinto com a moça desconhecida no ônibus que pra tentar ser simpática fala mal dos outros. não. nem. quero um lugar de trotes eternos, onde as pessoas dançam num compasso intuitivo e vital. eu era muitos cavalos.

sábado, 12 de dezembro de 2015

entre praça marília de dirceu e praça da assembleia 121215 2233

tem duas décadas que eu respiro esse ar
duas décadas e não aprendi quase nada
o que eu aprendi não me vale para as próximas décadas
a moça com sonhos faz piada quanto à universitários
piada reciclada igual às ideias
o menino de óculos é tão impertinente quanto pedante
mas é amenizado por quem carrega na sina sagitário
sagitário deveria ser livre
o problema deve ser o ascendente
a outra é muito sensível e sofre
sofre
aquela lá que tava o tempo inteiro por aí
já não está mais, porque a vida é assim
reciclagem
ou adubo
eu estou mudando, mudando muito mais por mudar
que por necessidade
água parada dá dengue
o moço é uma ótima pessoa 
mas pega fogo 
meu coração se compadece e enfrenta
parei de comer carne porque tem sangue
não acho que se deve comer sofrimento
mas como gelatina que é joelho,
ao contrário da tia do jardim que dizia que era alga.
queria que fosse alga. 
gosto do mar. 
mas não entro, às vezes, é melhor não entrar. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Estação Aparecida, Belo Horizonte - 241115 1912

Pouca gente sabe, mas os ônibus da linha 52 são os mais vazios daqueles que chegam à Estação Pampulha. Eu sempre espero pra pegar ele, porque ele não me decepciona - ao contrário de tantos outros. Os poucos que sabem disso também fazem questão de esperar por ele e fazer uma viagem, digamos, respirável. Os artistas, comuns no transporte público de Belo Horizonte, também sabem e tiram bom proveito desse fato.

Eis que ali, na Odilon Behrens, entra no ônibus o Yeyé, ou a pessoa que eu penso que ele seja. Porque até hoje não sei ao certo quem ele é, apesar de saber muito sobre ele, então atribuí características físicas de um cara que sempre canta no Move à pessoa dele. Pois bem, então ele entra e começa a cantar umas músicas que eu acredito ser chilenas com um sotaque que eu acredito ser chileno. O ônibus inteiro para para sorrir, escutar e balançar a cabeça com ele. 

Não passa nem da primeira frase da música entra o Diego, um menino que eu não faço a menor ideia de como chama, mas tem cara de Diego. Ele andava de skate, ou pelo menos, andava com um skate debaixo de um braço e, no outro, exibia uma pintura de azulejo que ele fazia e, fazia na hora, se quisessem. Tudo ali no ônibus. 

Tanto o Yeyé quando o Diego não devem ter nem 25 anos e parecem estar tão seguros do que estão fazendo e, o fazem tão bem, que todos os olham. Eles são artistas que param tudo para dar espaço e valor àquilo que sabem - e amam - fazer. 

Do lado de dentro desse olhar meio observador, estou. Estou. Indo atrasado para a aula de literatura hispánica, fugindo da minha vontade de ser ator. Minha vontade de sair por aí, rodando, passando por dificuldades, mas sendo o mais feliz que eu possa ser. Mas estou sentado, vendo as pessoas sendo feliz e a vida passando pela janela. Ainda não sei em qual estação desço. 

sábado, 3 de outubro de 2015

meu irmão gosta de cortar o cabelo em um lugar lá na rua mato grosso. é conceitual. tem uma mesa de sinuca e tudo. eu não sei se eu gosto de cortar o cabelo lá. cortei uma vez e gostei muito, não só eu, falaram do meu cabelo por uma semana. mas aí cortei de novo e não gostei. eu não sei jogar sinuca e agora ficam uns fiozinhos de cabelo maiores que os outros caindo no meu olho. se tem uma coisa que eu não aguento e me dá muita agonia é sentir fiozinhos de cabelo caindo no meu olho quando eu olho pra baixo. na verdade, nem precisa olhar pra baixo, eles estão aqui caídos enquanto eu olho pra frente pra digitar esse texto. parece que agora é uma mania eu escrever textos mais ou menos iguais a esse quando eu tenho muita coisa pra fazer e não sei nem por onde começar. mais ou menos eu tenho muita coisa pra fazer e não sei nem por onde começar. tenho aquele texto sobre a praça marilia de dirceu que eu queria escrever, mas eu prometi pra mim que iria ler tomas antonio gonzaga antes de escrever pra fazer um texto com referencias e as pessoas acharem que sou culto. tem aquele tanto de coisa da faculdade pra fazer e eu tenho procrastinado, mas eu sou muito bom em me enganar e consequentemente enganar os outros. teve aquele dia lá que a aula era sobre dom quixote e eu não tinha lido, mas fazia altas reflexões e comentários que era como se eu tivesse lido tudo e não só lembrasse do episódio do chapolim colorado. tenho que fazer alguns posters pra apresentar esse mês, mas nem sei qual é o plural de poster. posteres. posters. o romulo mandava eu ler kerouac porque ele escreve as coisas como se fosse um fluxo de pensamento, mas eu não li e meio que to escrevendo assim também. tenho que estudar pra prova do teatro universitário pra não dar vexame igual ano passado, mas não tem como ser marlon brando também, preciso do ítalo, mas primeiro tenho que decorar o texto, mas primeiro tenho que ler o livro que eu comprei e o marco pagou pra mim porque no dia eu tava sem dinheiro e ainda não paguei ele. vou bloquear o pensamento do marco se não esse texto vira um texto sobre ele e não é esse o motivo de eu estar escrevendo agora. resolvi fechar o olho e escrever tudo que me passar pela cabeça, mas escrevi essa frase com o olho aberto. na verdade eu n~]ao aguento é escrever com esses cabelinhos fininhos fazendo cosquinha e me atrapalhjando a escrever; anmimca ,aos vpçtp maqieçe saç]ao de caneçop. a não ser se eu aprender a jogar sinuca.