Ei.
Olha pra mim.
Só um pouco.
Só o suficiente pra eu sorrir.
Sei lá.
Faz umas piadinhas ruins.
Dá falsas esperanças.
Não precisa nem ser verdadeiras não.
Vai me colocando devagarinho na sua vida.
Me apresenta seu mundo.
Só que olha pro meu também.
Só um pouco.
Só um suficiente.
Nem um pouco?
Nem o suficiente?
Então tá.
Depois a gente conversa.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
rua joão martins coelho em frente ao kit santo antonio
será que dá pra fazer poema aqui?
acho que é uma parte que não é contemplada na literatura, até adélia prado que costuma falar da gente, fala mas pelas beiradas, já falou de cachoeirinha, branquinhos, choro, mas aqui acho que não brota nada para escrever mesmo não. é uma terra onde as pessoas fazem uma força muito grande pra soar natural ou são naturais demais em parecer fortes, eu não sei direito. parece estranho que eu tenha vindo daqui, mas depois de um tempo longe é muito fácil notar a diferença, mas principalmente a minha diferença. porque as coisas aqui não mudam, nunca. mas eu não sou mais o mesmo, eu não consinto com a moça desconhecida no ônibus que pra tentar ser simpática fala mal dos outros. não. nem. quero um lugar de trotes eternos, onde as pessoas dançam num compasso intuitivo e vital. eu era muitos cavalos.
sábado, 12 de dezembro de 2015
entre praça marília de dirceu e praça da assembleia 121215 2233
tem duas décadas que eu respiro esse ar
duas décadas e não aprendi quase nada
o que eu aprendi não me vale para as próximas décadas
a moça com sonhos faz piada quanto à universitários
piada reciclada igual às ideias
o menino de óculos é tão impertinente quanto pedante
mas é amenizado por quem carrega na sina sagitário
sagitário deveria ser livre
o problema deve ser o ascendente
a outra é muito sensível e sofre
sofre
aquela lá que tava o tempo inteiro por aí
já não está mais, porque a vida é assim
reciclagem
ou adubo
eu estou mudando, mudando muito mais por mudar
que por necessidade
água parada dá dengue
o moço é uma ótima pessoa
mas pega fogo
meu coração se compadece e enfrenta
parei de comer carne porque tem sangue
não acho que se deve comer sofrimento
mas como gelatina que é joelho,
ao contrário da tia do jardim que dizia que era alga.
queria que fosse alga.
gosto do mar.
mas não entro, às vezes, é melhor não entrar.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Estação Aparecida, Belo Horizonte - 241115 1912
Pouca gente sabe, mas os ônibus da linha 52 são os mais vazios daqueles que chegam à Estação Pampulha. Eu sempre espero pra pegar ele, porque ele não me decepciona - ao contrário de tantos outros. Os poucos que sabem disso também fazem questão de esperar por ele e fazer uma viagem, digamos, respirável. Os artistas, comuns no transporte público de Belo Horizonte, também sabem e tiram bom proveito desse fato.
Eis que ali, na Odilon Behrens, entra no ônibus o Yeyé, ou a pessoa que eu penso que ele seja. Porque até hoje não sei ao certo quem ele é, apesar de saber muito sobre ele, então atribuí características físicas de um cara que sempre canta no Move à pessoa dele. Pois bem, então ele entra e começa a cantar umas músicas que eu acredito ser chilenas com um sotaque que eu acredito ser chileno. O ônibus inteiro para para sorrir, escutar e balançar a cabeça com ele.
Não passa nem da primeira frase da música entra o Diego, um menino que eu não faço a menor ideia de como chama, mas tem cara de Diego. Ele andava de skate, ou pelo menos, andava com um skate debaixo de um braço e, no outro, exibia uma pintura de azulejo que ele fazia e, fazia na hora, se quisessem. Tudo ali no ônibus.
Tanto o Yeyé quando o Diego não devem ter nem 25 anos e parecem estar tão seguros do que estão fazendo e, o fazem tão bem, que todos os olham. Eles são artistas que param tudo para dar espaço e valor àquilo que sabem - e amam - fazer.
Do lado de dentro desse olhar meio observador, estou. Estou. Indo atrasado para a aula de literatura hispánica, fugindo da minha vontade de ser ator. Minha vontade de sair por aí, rodando, passando por dificuldades, mas sendo o mais feliz que eu possa ser. Mas estou sentado, vendo as pessoas sendo feliz e a vida passando pela janela. Ainda não sei em qual estação desço.
sábado, 3 de outubro de 2015
meu irmão gosta de cortar o cabelo em um lugar lá na rua mato grosso. é conceitual. tem uma mesa de sinuca e tudo. eu não sei se eu gosto de cortar o cabelo lá. cortei uma vez e gostei muito, não só eu, falaram do meu cabelo por uma semana. mas aí cortei de novo e não gostei. eu não sei jogar sinuca e agora ficam uns fiozinhos de cabelo maiores que os outros caindo no meu olho. se tem uma coisa que eu não aguento e me dá muita agonia é sentir fiozinhos de cabelo caindo no meu olho quando eu olho pra baixo. na verdade, nem precisa olhar pra baixo, eles estão aqui caídos enquanto eu olho pra frente pra digitar esse texto. parece que agora é uma mania eu escrever textos mais ou menos iguais a esse quando eu tenho muita coisa pra fazer e não sei nem por onde começar. mais ou menos eu tenho muita coisa pra fazer e não sei nem por onde começar. tenho aquele texto sobre a praça marilia de dirceu que eu queria escrever, mas eu prometi pra mim que iria ler tomas antonio gonzaga antes de escrever pra fazer um texto com referencias e as pessoas acharem que sou culto. tem aquele tanto de coisa da faculdade pra fazer e eu tenho procrastinado, mas eu sou muito bom em me enganar e consequentemente enganar os outros. teve aquele dia lá que a aula era sobre dom quixote e eu não tinha lido, mas fazia altas reflexões e comentários que era como se eu tivesse lido tudo e não só lembrasse do episódio do chapolim colorado. tenho que fazer alguns posters pra apresentar esse mês, mas nem sei qual é o plural de poster. posteres. posters. o romulo mandava eu ler kerouac porque ele escreve as coisas como se fosse um fluxo de pensamento, mas eu não li e meio que to escrevendo assim também. tenho que estudar pra prova do teatro universitário pra não dar vexame igual ano passado, mas não tem como ser marlon brando também, preciso do ítalo, mas primeiro tenho que decorar o texto, mas primeiro tenho que ler o livro que eu comprei e o marco pagou pra mim porque no dia eu tava sem dinheiro e ainda não paguei ele. vou bloquear o pensamento do marco se não esse texto vira um texto sobre ele e não é esse o motivo de eu estar escrevendo agora. resolvi fechar o olho e escrever tudo que me passar pela cabeça, mas escrevi essa frase com o olho aberto. na verdade eu n~]ao aguento é escrever com esses cabelinhos fininhos fazendo cosquinha e me atrapalhjando a escrever; anmimca ,aos vpçtp maqieçe saç]ao de caneçop. a não ser se eu aprender a jogar sinuca.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
aí eu decido que agora quero escrever crônicas. que crônicas são muito bonitas sim. e que sempre foram. é só você pegar as edições da revista literária da ufmg que lá em 1960 já tinha crônicas bonitas. mas eu não posso escrever crônicas porque tenho que ler, e minha vida já não ta deixando ficar lendo o tempo todo. é que eu namoro e namoro é uma coisa que exige tempo e energia. igual leitura. tem gente que pensa que leitura é sentar e ler. mas não. leitura é sentar, ler e pensar sobre o que você está lendo. mas eu sou do signo de touro. não sei meu ascendente. a nina que trabalhava comigo e tinha sobrenome italiano tentou fazer meu mapa astral, mas ela colocou o ano errado então não tem como eu saber meu ascendente. ela bem que poderia fazer outro mapa astral pra mim, mas esse com o ano certo porque aí eu saberia se meu ascendente é bom, porque o signo mesmo, que é touro, não é muito bom não. dá muita preguiça e quando encasqueta que quer escrever uma crônica ele não sossega e não consegue concentrar na leitura até escrever uma crônica, mas tudo bem né, eu li no uol hoje que quem é de touro tá regido por umas coisas de venus e mercúrio que dão maior vazão para as veias artísticas. só não sei se escrever uma crônica é uma coisa da veia artística ou se é mais um modo de procrastinação inventado pela minha cabeça que tem um touro dentro.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
tentativa
eu odeio ter que escrever sobre você. eu odeio porque eu não consigo passar as sensações que você me passa pro papel, eu não sei te descrever sem parecer um lunático, um adicto. não existem palavras no meu vocabulário que podem lidar bem com essa tarefa, aliás eu preciso muito andar com um dicionário por aí pra ver se todos esses sentimentos que rasgam o meu peito de uma forma doce têm nome, sinônimo, antônimo eu já sei que não tem. você é isso. é essa ruptura do significado no plano do significante, ou o contrário nunca entendi direito o significado de significado, eu sei o que você significa e isso pra mim tá de bom tamanho. só que aí vem a vontade de gritar pro mundo, mas gritar como? eu não sei tocar violão e nem tenho uma voz maravilhosa, isso ajudaria. talvez meu grito venha dos meus gestos, dos meus olhos brilhando enquanto você toca violão e canta com a sua voz maravilhosa, talvez seja o jeito que eu coço o nariz quando to sem paciência para as coisas que o mundo trata como urgência e eu entro na dele. eu ainda tenho que ler muito, tenho que me alimentar e tenho que ser muito artista pra tentar escrever sobre você. mas ainda assim, escrevo. essas migalhas de palavras que eu solto por aqui ou por ali é o alívio que me resta, ainda que muito torto. alívio desse punhado de coisas boas que você me passa, que na verdade não é alívio nenhum é só alive.
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